sexta-feira, 26 de abril de 2013

A ironia da morte

Foi de repente aquela dor aguda apareceu do nada e me rasgou o peito sabe? parecia um tiro direto no coração ou um tipo de faca muito quente entrando bem ali, tão forte que eu esqueci um monte de coisa que tava acontecendo em volta e até no meu próprio corpo se eu tava cansado ou não ou ansioso ou com pressa ou com saudade só sei que eu senti as pernas amolecendo e na verdade eu não tava nem aí se ia doer quando eu caísse no chão porque tava doendo tanto em um lugar específico que o resto nem importava mais é como quando a gente dá uma topada de canela que parece que o mundo inteiro deixa de existir ficando só aquela dor horrorosa na canela e o mundo começa a aparecer devagarzinho aos poucos a medida que a dor vai diminuindo.

Só que essa aí não passava e o mundo inteiro não tava mais querendo aparecer de novo porque a bendita não passava e assim foi que me encontrei caído finalmente com a cara estatelada metade no asfalto metade na grama daquela calçada na frente de um condomínio qualquer que para falar a verdade em nem havia reparado se era bonito ou feio até este momento em que me encontrei ali por ironia com ninguém por perto e pronto para admirar a beleza daquele jardinzinho que alguém cuidou com tanto talento e paixão mas que sujeitos apressados e ocupados como eu passavam o dia todo em frente pra lá e para cá e nunca jamais sequer notavam que sequer existia.

Mas eu sabia muito bem o que estava acontecendo porque mesmo ali caído e sem força nenhuma para reagir a essa situação ridícula a que se submete todo ser humano em toda a história de todos os tempos da humanidade eu sabia que se tratava daquela que em algum momento vem nos visitar para saber como é que estamos e quem sabe nos convidar para uma voltinha por aí, que é a morte.

Caído e ainda sentindo muita dor me ponho a pensar, bom daqui em diante a cada minuto que se passa sem ninguém perceber que eu estou passando dessa para melhor lá se vão 10 a 15% da minha possibilidade de sobrevivência a esse enfarto segundo as estatisticas que mostram também que mais de 200.000 pessoas morrem no Brasil todo ano e algo em torno de 2% somente são as que conseguem por algum milagre escapar de empacotar e a maioria ainda porque algum ser humano percebeu e agiu a tempo o que é pouco provavel no meu caso já que a rua está deserta são 10 horas da manhã de um feriado e eu to voltando da padaria, ou seja tá todo mundo de ressaca enquanto eu tô batendo as botas aqui.

Por falar nisso fico aqui caído e pensando nesse pãozinho quentinho dentro do pacote que eu não cheguei a experimentar e pelo jeito nem vou, justo hoje que consegui pegar ele logo no momento que ele saía do forno e isso é tão raro se tratando de uma cidade grande como a minha, mas o pãozinho é uma simbologia de tudo aquilo que eu pensei em fazer e não fiz e tentei e não consegui e nem vou me prolongar muito porque meu tempo é pouco e eu já li muito sobre essa ladainha filosófica e que nunca fui muito chegado na verdade porque eu acho que é errado querer glamourizar o momento da morte pois eu acho que não se consegue pensar em outra coisa a não ser respirar respirar e respirar para tentar escapar dessa.

De qualquer forma aqui caído é estranho em ver em um ponto em que não se está morto ainda mas também não se está vivo , ou seja se está no meio do caminho sendo este aquele momento em que dizem que passa um filme na cabeça do sujeito mas o meu não começou ainda e eu torço muito que se vier seja em forma de comédia porque eu adoro rir e gostaria muito de partir rindo muito porque das coisas que a gente leva da vida a alegria é uma das que não tem preço se é que se leva isso para o outro lado.

Estranhamente todo esse tempo já se passou e a dor que cortava meu peito está desaparecendo só que o mundo não começou a reaparecer em contrapartida nem filme nenhum passou na minha cabeça ainda a não ser essa história toda que estou tendo tempo de narrar para você que está lendo e que obviamente não estava lá na hora que eu caí e que portanto não pôde me levantar e correr para um PS e que deve estar lendo neste momento passado sei lá quanto tempo desde que isso tudo me aconteceu.

Portanto fica para você a dica pois os minutos que se passaram já jogaram minha estatística de sobrevivência no negativo e a dica é: repare nos jardins e viva com alegria mesmo que você não saiba se Deus existe ou não se viemos do macaco ou do toque divino das mãos do Criador como eu acredito porém mais do que tudo me desculpa mas preciso falar um pouco daquela ladainha filosófica porque o momento me parece mai spropício agora portanto ame ame ame e no final ame mais um pouco e só pare de amar depois que todos dormirem e só depois você dorme, ok?

#ficadica

Fui.


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