domingo, 23 de agosto de 2009

Tenha paciência e leia!...

FÉ & FINANÇAS
Partido, igreja e televisão


Por Eugênio Bucci em 19/8/2009 (Site: Observatório da Imprensa)

O rumoroso processo contra a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), que transformou em réu o seu líder maior, bispo Edir Macedo, tem como pano de fundo um fenômeno que não tem sido pautado pelos órgãos de imprensa. Mais que a confluência entre fé e finanças, tradicionalmente problemática, esse fenômeno revela a conformação, no Brasil recente, de um tripé no mínimo preocupante: igreja, partido político e radiodifusão (setor que abarca as emissoras de rádio e TV).

Recapitulemos rapidamente o teor das recentes acusações contra a IURD antes de entrarmos na análise desse fenômeno – que será apenas uma análise preliminar. Segundo o Ministério Público, os dirigentes da igreja teriam aplicado recursos obtidos de doações de fiéis na compra de bens e empresas em seus nomes pessoais. Agora, cabe à Justiça avaliar se eles aumentaram ou não aumentaram o seu patrimônio pessoal por meio da apropriação indevida dos donativos.

A lei brasileira proíbe essa prática, e as razões para isso são fáceis de entender. Igrejas não pagam impostos. A lei autoriza que o dinheiro arrecadado pelos religiosos seja inteiramente investido em obras de caridade ou na própria igreja, atividades que não têm finalidade lucrativa. Já as empresas privadas, estas sim estão obrigadas a recolher tributos, pois seu negócio tem finalidade de lucro. Caso alguns milhões de reais vindos de doações, sobre os quais não recai nenhuma taxação, migrem para abastecer negócios privados com fins de lucro, ou mesmo para aumentar patrimônio pessoal, a burla resulta evidente. Constitui crime.

No que se refere à ação criminal em curso, a Justiça decidirá. Mas as associações crescentes no Brasil entre a fé organizada, a radiodifusão e, às vezes, partidos políticos, essas parece que prosseguirão. Sequer têm sido estudadas, discutidas, compreendidas em sua complexa extensão. Eis o pano de fundo dessa história toda – pano de fundo que mal visualizamos.

Tratemos um pouco disso, então. Vejamos como tem recrudescido entre nós esse tripé: radiodifusão, partido político e igreja. Os três elementos deveriam caminhar separadamente, mas tem se aproximado cada vez mais. Quando se juntam, constituem um vetor que aponta para o poder. O tema é crucial para os que acompanham as comunicações no Brasil.

O tripé que espreita o poder

A radiodifusão, o primeiro dos três pés, é serviço público. Sim, ela pode ser explorada por empresas particulares, mas apenas mediante concessão pública. A Constituição estabelece, em seu artigo 221, que a radiodifusão deve dar preferência a finalidades "educativas, artísticas, culturais e informativas", pois ela cumpre uma função de interesse comum e, nos conteúdos que veicula, não é desejável que as predileções de uns – predileções religiosas ou partidárias, por exemplo – difamem ou prejudiquem as preferências dos demais.

É por isso que, sobre a radiodifusão, como todos sabemos, pesam regulamentações que simplesmente não existem para os veículos impressos – que não operam a partir de concessões públicas. Isso significa que, de acordo com os princípios democráticos, que foram acolhidos pela Constituição, a radiodifusão é regida por regras que preservam o interesse geral, pois, vale repetir, é serviço público.

Os partidos políticos pertencem a outra esfera e devem assim permanecer, tanto que a lei faz restrições a vínculos entre candidatos e as emissoras. Um exemplo: o artigo 54 da Constituição impede que senadores e deputados mantenham contratos com empresas concessionárias de serviço público (e as emissoras são exatamente isso, concessionárias de serviço público).

A legislação eleitoral proíbe que candidatos a postos eletivos mantenham programas de rádio e televisão durante o período eleitoral. Essas restrições têm o objetivo de evitar que a radiodifusão deixe de ser um serviço público (serviço para todos) e se converta em serviço particular (para benefício de poucos) – ou seja, serviço que tem por único objetivo a promoção de interesses particulares. Esse tipo de legislação busca diminuir o risco de que as emissoras sejam instrumentalizadas por alguns candidatos em prejuízo de outros.

Se a lei consegue de fato atingir suas finalidades é outra conversa. Qualquer um é capaz de apontar dezenas de deputados e senadores que são, mais do que próximos, acionistas, donos ou dirigentes velados de emissoras. Não deveria ser assim, mas, infelizmente, é assim que é. Em várias regiões brasileiras, há clãs que se mantêm no poder graças ao uso abertamente partidário da radiodifusão.

Deixemos de lado essas tragédias, ao menos neste artigo. Tentemos aqui nos concentrar na lógica que orienta esses princípios democráticos. É uma lógica sábia, ainda que tão negligenciada. Tentemos identificar, apenas isso, identificar os motivos pelos quais a democracia, para funcionar melhor, tende a afastar, ou pelo menos tende a querer afastar a política partidária da condução dos meios de radiodifusão. Tentemos entender por que, para a própria saúde da democracia, é fundamental que a radiodifusão, como serviço público, e partidos políticos – que constituem feixes de interesses privados, mesmo quando se pretendem universais – operem segundo regras próprias, independentes uma da outra. Esse esforço nos mostrará que a radiodifusão articula e dá vida ao espaço público, espaço comum a todos, onde as disputas pelo poder têm lugar.

Os partidos são partes interessadas no poder e, portanto, não podem gerenciar as emissoras que prestam serviço público. Isso é – ou deveria ser – tão simples como é simples entender que o técnico de um time de futebol não pode dar ordens para o juiz e para os bandeirinhas. Isso é – ou deveria ser – tão óbvio como seria óbvio entender que a concessionária de uma rodovia federal não pode impedir a passagem dos automóveis cuja cor a desagrade. A concessionária de uma estrada mantém a estrada em bom estado, de modo a melhor atender os viajantes – ela não é dona da estrada. Do mesmo modo, a concessionária de uma freqüência de ondas eletromagnéticas não é dona da freqüência; ela apenas a explora para melhor atender os cidadãos.

E quanto às igrejas? Desde que a democracia assumiu como valor fundamental o respeito à liberdade religiosa de cada um – separando de uma vez por todas o Estado e a religião –, as igrejas pertencem à esfera privada. Por isso, dentro da lógica democrática, elas ocupam um terceiro campo em relação aos outros dois. Se emissoras de TV são serviço público e dependem de concessão do Estado para ser objeto da atividade econômica de particulares, as igrejas nascem, prosperam e morrem sem que o Estado seja chamado a interferir em seus destinos. Nem imposto elas pagam.

Se os partidos políticos, nascidos também na esfera privada, articulam-se com o objetivo de conquistar postos de comando da máquina pública, as igrejas cuidam de outros assuntos, cujo alvo não deve ser o poder político. Se o Estado é laico, não é concebível que uma religião pretenda disputar cargos eletivos para, a partir deles, imprimir aos poderes da República a sua doutrina particular. Lembremos, outra vez, a Constituição. Agora, o artigo 19:

"É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público".

Outra vez, alguém vai dizer que isso tudo não passa de declaração inócua de boas intenções. Dirá que, na prática, a promiscuidade entre igreja e Estado no Brasil é intensa, é histórica etc., etc., etc. É verdade, mas, de novo, não importa. Não aqui. O objetivo deste texto não é denunciar que as leis são ineficazes. O meu propósito, repito, é identificar as razões de fundo da democracia nessa matéria. Importa visualizar, ainda que de longe, os motivos pelos quais a cultura democrática faz mais sentido quando sabe manter em seus domínios próprios a radiodifusão, a religião e a política.

No ideal democrático, se um cidadão gosta de ser dono de uma cadeia de TV, ele será concessionário de serviço público, mas, caso ele faça essa opção, não poderá ser ao mesmo tempo, digamos, um senador. (Tudo isso, claro, segundo o espírito da lei, segundo aquele ideal antigo, que anda meio empoeirado, mas que vive lá, mesmo que esquecido.) De outro lado, se um sujeito se sente chamado por Deus e se consagra à vida religiosa, ele não está autorizado a, nessa condição, postular o poder para subordinar o Estado aos ditames de sua fé. O Estado, afinal, é de todos, inclusive daqueles que não comungam dessa fé. Se o Estado é de todos, também são de todos os órgãos públicos, as estatais, as universidades públicas e... os serviços públicos – serviços públicos como a radiodifusão.

As telerreligiões e seus desdobramentos políticos

O proselitismo religioso pela TV se popularizou nos Estados Unidos e só depois aportou no Brasil. Aqui, fez escola não apenas entre evangélicos. Também o catolicismo se arrisca em redes próprias de emissoras. O uso de câmeras, microfones, estúdios, holofotes e antenas para pregar a suposta palavra do Senhor, segundo receitas variadas, é hoje um denominador comum entre seitas, agremiações confessionais e igrejas nacionais ou mesmo globalizadas. Nem de longe, essa vertente é uma exclusividade da Rede Record, reconhecidamente identificada com a IURD. Até mesmo no "campo público" – o das emissoras não-comerciais – o fenômeno se verifica. Várias emissoras públicas e mesmo estatais reservam horários em suas grades para a transmissão de missas católicas e apenas raramente, ou quase nunca, enxergam cerimônias de outros credos.

Também nas televisões públicas, portanto, é possível localizar a opção preferencial por uma forma de culto, o que equivale à segregação dos demais. A Record apenas chamou atenção, hoje, porque atingiu dimensões continentais. O que incomoda, nela, não é a promiscuidade entre fé e radiodifusão: o que nela incomoda é a escala, a proporção, a magnitude. Não fosse isso, pouca gente iria perder seu tempo falando disso.

O problema, entretanto, não é de escala, mas de conceito. Religiões e emissoras deveriam ser negócios muito mais separados do que de fato são. Se quiséssemos seguir à risca o ideal democrático e o que estabelece a Constituição, até poderíamos considerar admissível que igrejas comprassem faixas de horários em algumas programações, mas jamais toleraríamos como um dado natural que igrejas, de forma velada ou aberta, fossem simplesmente as proprietárias de grandes redes. Não toleraríamos porque, quando isso acontece, o caráter de serviço público da radiodifusão sai muito, mas muito arranhado. Ou mesmo mutilado.

No caso da Record e de seus vínculos com a IURD, há um terceiro elemento que deveria ser considerado: o Partido Republicano Brasileiro (PRB). Seu principal expoente no Congresso Nacional é o senador Marcelo Crivella, do Rio de Janeiro, também bispo (licenciado) da Universal. O partido soma apenas cinco parlamentares em Brasília (dois senadores e três deputados federais), cujos nomes costumam figurar nas listas da chamada "bancada evangélica", que não para de crescer. O PRB se posiciona bem. Seu presidente de honra é ninguém menos que José Alencar, vice-presidente da República. Mangabeira Unger, um de seus filiados, foi titular de uma pasta no ministério do governo Lula.

Quais as reais relações entre a IURD e o PRB? Por enquanto, essa pergunta fica no ar.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Because you loved me



Because You Loved Me

Por Que Você Me Amou.

For all those times you stood by me.
For all the truth that you made me see.
For all the joy you brought to my life.
For all the wrong that you made right.
For every dream you made come true.
For all the love I found in you I'll be forever thankful baby.
You're the one who held me up.
Never let me fall.
You're the one who saw me through, though it all.

Por todas aquelas vezes que você me apoiou
Por toda a verdade que você me fez enxergar
Por toda a alegria que você trouxe para minha vida
Por tudo de errado que você transformou em certo
Por todo sonho que você tornou realidade
Por todo o amor que encontrei em você
Eu serei eternamente grata, meu bem
Você é quem me sustentou
Nunca me deixou cair
Você é quem me acompanhou, através disso tudo

You were my strength when I was weak.
You were my voice when I couldn't speak.
You were my eyes when couldn't see.
You saw the best there was in me.
Lift me up when I couldn't reach.
You gave me faith 'coz you believed.
I'm everything I'm Because you loved me.

(Refrão)
Você foi minha força quando eu estive fraca
Você foi minha voz quando eu não podia falar
Você foi meus olhos quando eu não podia ver
Você enxergou o melhor que havia em mim
Me ergueu quando eu não conseguia alcançar
Você me deu fé porque você acreditou
Eu sou tudo o que sou
Porque você me amou

You gave me wings and made me fly.
You touched my hand I could touch the sky.
I lost my faith, you gave it back to me.
You said no star was out of reach.
You stood by me and I stood tall.
I had your love I had it all.
I'm grateful for each day you gave me.
Maybe I don't know that much, but I know this much is true.
I was blessed because I was loved by you.

Você me deu asas e me fez voar
Você tocou minha mão [e] eu pude tocar o céu
Eu perdi minha fé, você devolveu-a de volta pra mim
Você disse que estrela nenhuma estava fora de alcance
Você me apoiou e eu fiquei de pé
Eu tive seu amor, eu tive isso tudo
Sou grata por cada dia que você me deu
Talvez eu não saiba tanto
Mas eu sei que isto é verdade
Eu fui abençoada porque fui amada por você

You were my strength when I was weak.
You were my voice when I couldn't speak.
You were my eyes when couldn't see.
You saw the best there was in me.
Lift me up when I couldn´t reach.
You gave me faith ´coz you believed.
I'm everything I am Because you loved me.

Você foi minha força quando eu estive fraca
Você foi minha voz quando eu não podia falar
Você foi meus olhos quando eu não podia ver
Você enxergou o melhor que havia em mim
Me ergueu quando eu não conseguia alcançar
Você me deu fé porque você acreditou
Eu sou tudo o que sou
Porque você me amou

You were always there for me.
The tender wind that carried me.
A light in the dark shining your love into my life.
You've been my inspiration.
Through the lies you were the truth.
My world is a better place because of you.

Você sempre esteve lá para mim
O vento carinhoso que me levava
Uma luz no escuro, brilhando seu amor na minha vida
Você tem sido minha inspiração
Em meio a mentiras você foi a verdade
Meu mundo é um lugar melhor por sua causa

You were my strength when I was weak.
You were my voice when I couldn't speak.
You were my eyes when couldn't see.
You saw the best there was in me.
Lift me up when I couldn't reach.
You gave me faith ´coz you believed.
I'm everything I am Because you loved me.

Você foi minha força quando eu estive fraca
Você foi minha voz quando eu não podia falar
Você foi meus olhos quando eu não podia ver
Você enxergou o melhor que havia em mim
Me ergueu quando eu não conseguia alcançar
Você me deu fé porque você acreditou
Eu sou tudo o que sou
Porque você me amou

terça-feira, 11 de agosto de 2009

A realidade da fé I

Opinar sobre esse tipo de coisa é sempre uma faca de dois gumes, porque há duas situações coexistindo: a questão da fé, e a questão da ética. O assunto é que acaba de sair na mídia notícias sobre a cúpula administrativa da Igreja Universal, trocando em português miúdo, indiciada por lavagem de dinheiro.

A questão da fé
Todo ser humano nasceu para usufruir a bênção da vida, e exercer essa mesma vida em uma relação de amor e louvor ao seu criador, Deus.

E a Igreja é mais do que que estruturas, templos, riqueza e prosperidade. A Igreja é o pleno exercício dos valores mais elevados, pelos homens, entre si, e em relação ao seu Criador. É o reino de Deus na terra... mas esse reino é implícito, ele é a vida de Deus dentro de cada indivíduo, tornando-o melhor... mais ético, mais sensível, mais sublime, mais justo. E essa interação do Espírito de Deus com o espírito do homem, faz de cada ser humano um exemplo.

Na Igreja se aprende a tolerar, amar o próximo, praticar a boa ação, desenvolver e exercer a fé, e adorar ao Criador. Também se aprende a superar as dificuldades e problemas da vida, num ambiente de amor, esperança e alegria.

Portanto, em nada eu questiono a capacidade humana de ter uma relação de amor com Deus e com o próximo, e muitos alcançam isso em todas as Igrejas, inclusive na Universal.

A questão da ética
No âmbito administrativo a Igreja tem se tornado cada dia mais próxima de uma empresa, uma estrutura secular, do que o reino de Deus na Terra. E o abuso e a falta de ética tem tornado a pobre Igreja motivo de chacota e sinônimo de banditismo nesse Brasil e mundo afora.

Na verdade essas denúncias recentes em nada surpreendem a quem possui um mínimo de senso crítico e inteligência - itens tão apregoados nos sermões do Bispo Edir Macedo.

É notório e conhecido de muitos a multiplicação de negócios, a expansão de tentáculos da Igreja-Empresa sobre o cenário empresarial no Brasil inteiro. Usando a premissa da isenção de impostos sobre templos religiosos para todo tipo de operação "legal", inclusive com transferência de riqueza para contas pessoais, manutenção de programas de TV a valores estratosféricos em horários cujo público é inconsistente com o valor investido ( e isso se faz justamente para transferir riqueza de uma empresa a outra), aquisição de empresas em nomes de laranjas, etc etc etc.

E o que dizer do exercício do ministério pastoral com alvo de receita (como se fosse uma equipe de vendas)?

Infelizmente o negócio "Igreja" se tornou altamente promissor, e a verdadeira Igreja, por omissão - em alguns casos exaustão - de homens de caráter, tem sido alvo fácil da ação de bandidos, marginais, pessoas de péssima índole, que se valem da habilidade de orador e da capacidade de manipulação de massas para enriquecer, à custa do dinheiro dos humildes.

E há muitos por aí, e não somente essa leva de falsos líderes.

Cúpula da Igreja Universal é indiciada por lavagem de dinheiro
JB: http://jbonline.terra.com.br/pextra/2009/08/11/e110819694.asp

Folha: http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u607881.shtml

Estadão: http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,justica-recebe-denuncia-contra-bispo-edir-macedo-e-mais-9,416884,0.htm

O Globo: http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2009/08/10/edir-macedo-mais-nove-sao-denunciados-por-lavar-dinheiro-757350041.asp