sexta-feira, 22 de maio de 2009

o vale




Voltei aos meus vales ocultos
Sozinho, sereno, revejo as paragens
pisam meus pés caminhos conhecidos
de lágrimas derramadas e de sonhos furtados
registrados em caules de árvores
sob as quais adormeci amando e sofrendo

Fui eu quem os fiz, então os toco e recordo
que me dêem o alento de um dia ter sonhado

Folhas passam correndo, brincando como crianças
como vivas, porém mortas
e como tal, lembram a mim

A vida é um paradoxo
Pois quem é este que está vivo,
que não anseia por viver?
Todos anseiam, pois mortos se sentem
Como folhas que o vento leva, tão cheias de vida

O grito mais dorido é o feito em silêncio
Quase ouço os meus, andando nesses vales
Ecoam como rumores, ao sabor desses ventos
Me lembram prazeres, confidências e tremores
que o amor e a dor propiciam

O sol não se mostra de todo
Nuvens encobrem sua luz
Tudo na vida é meio encoberto, nada é completo
nem aquele amor que te declaram
Completo é só o momento
pleno em seus início, meio e fim
gotas da chuva, faíscas de fogo,
um molha, outro consome
um entristece, outro alegra,
e ambos colorem

Nesse lugar de profundos quietude e paz
fecho meus olhos para ver melhor
a linda menina mulher
que amei e que me lembra o poder
de todo amor de que sou capaz
não há nada mais perfeito
do que ser o que se é
sem medo

Permito-me amar de novo assim
entre ecos de tortura e desejo
rindo, mergulhado neste momento mágico
Pois nos poucos mas intensos dias da minha vida
não há dor que não tem seu devido tempo
e nem amor que não seja sofrimento

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