sábado, 18 de abril de 2009

Jackson Lago, corrupção e capitania hereditária

Ninguém pode dizer que o Maranhão pertence aos Sarney - e ao mesmo tempo pode.

Não pode dizer porque, em primeiro lugar, os dois últimos mandatos foram eleitos democraticamente e assumidos por oposicionistas da família Sarney.

Mas também dá pra dizer que sim, o Maranhão PERTENCE aos Sarney porque, de fato, todo o funcionamento das instituições políticas e praticamente todos os mecanismos públicos daquele estado são infestados de gente que se dobra à vontade daquela família, contribuindo para a perpetuação do seu poderio e à manutenção de sua gigantesca influência.

Estabeleceu-se uma cultura no Maranhão que mostra que, quando um grupo alcança determinado patamar de poder e influência, ele consegue determinar os caminhos da própria população, abatendo a força e a vontade de qualquer possível nova liderança, e culminando em um senso comum ao estilo "ruim com eles, pior sem eles".

O último episódio, envolvendo o governador Jackson Lago mostra um exemplo clássico de como a coisa acontece no Maranhão e, não raro, em vários lugares do Brasil. E também, mostra a incompetência da oposição em muitos desses covis eleitorais.

Jackson Lago teve seu mandato cassado, à revelia da maioria da população que o apóia porque, sem que houvesse necessidade (visto que possuía maioria nas intenções de voto), apoiou-se no populismo, distribuição de vales-gasolina, cestas básicas e convênios duvidosos para angariar uma simpatia que.. pasmem... já possuía. Ou seja, seguindo a influência do seu predecessor José Reinaldo (que morria de medo de passar a faixa para a família Sarney), acabou se envolvendo nos movimentos mais simples de detectar e de incriminar numa eventual disputa jurídica. Colocou a corda no próprio pescoço. Desculpe dizer, mas foi ingenuidade e incompetência.

Afora esse detalhe, vale lembrar que assume o estado a mesma Roseana que caiu no episódio dos milhões do caso Lunus, e que foi forçada a renunciar à candidatura à presidência por causa daquele monumental escândalo, num flagrante preparado nos porões mais obscuros do PSDB (FHC e Serra) e que usou abundantemente a máquina pública (PF) para abater o que na época era uma forte concorrente ao cargo maior.

O caso do Jackson Lago não chega sequer aos pés do caso Lunus. A diferença é que Jackson já estava em exercício do mandato e caiu. Rosena era apenas candidata, e igualmente caiu.

Para se vencer os "donos" de um lugar, precisa-se de mais inteligência... e competência.

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