quinta-feira, 2 de abril de 2009

Internet, twitter e enguinorância

Não consigo entender muito bem a tendência dos seres humanos de se isolarem uns dos outros enquanto buscam justamente o oposto: aproximação. Taí a internet que não me deixa mentir.

Há uma nova moda da internet, mais uma daquelas que demoram para passar: o Twitter. A idéia é que qualquer pessoa que criou sua conta, comece a publicar mensagens curtinhas, que obrigatoriamente devem caber em 140 caracteres. Então os "twitteiros" começaram a publicar o que estão fazendo o dia todo, alguns minuto a minuto, inclusive. Coisas como "Preparando o jantar", "lendo uma revista" e até mesmo o clássico "dormindo" passam a ser de conhecimento público. Para qualquer um ler.

Isso parece meio paradoxal, porque se a pessoa escreve "Preparando o jantar", ela na verdade não está. Está postando mensagens no twitter, o jantar é só depois. O que vem em seguida? "Estou descascando a batata"... dois minutos depois vem "Batata descascada: vou ferver a água"... Mas isso não é o pior. O pior é saber que ninguém, em seu perfeito estado de sã consciência, vai dedicar algumas horas para ler a sequência de ações de seus amigos no Twitter, porque o pressuposto é que todo mundo tem uma vida e, inserida nela, muito mais o que fazer.

Isso parece meio irracional para mim. Mas ser irracional é da natureza do ser humano né, fazer o que. Veja esse blog por exemplo. Quer algo mais irracional do que isso? E eu nem tenho desculpa alguma para me defender agora. Soa como mesquinharia. "Eu posso, mas os outros não". Mas embora eu não saiba explicar o porquê, o danado do microblog twitter continua me incomodando apesar da minha própria irracionalidade. Deve ser porque, em um blog como este, a pessoa dedica 15 minutos, escreve o que tem para escrever, e tchau. No twitter não: a pessoa fica presa, digitando pequenas frases ao longo do seu dia, cosntruindo a história do seu dia com uma sequência um mínimo lógica de fatos, e acreditando piamente que alguém está dando a mínima para o que lhe acontece. Ou então meu problema é idade mesmo.

Acho que qualquer um que consegue se viciar em uma coisa ridícula como o Twitter, daria um ótimo estudo de caso para neurologistas.

Um comentário:

Daya disse...

"Acho que qualquer um que consegue se viciar em uma coisa ridícula como o Twitter, daria um ótimo estudo de caso para neurologistas."

ou para psicólogos e estudantes de comunicação social, como eu!! =D
Visto que essa necessidade de aproximação tão latente hoje entre as pessoas é paralelo a essa exposição, quase que necessária, e porque não dizer que usada como estratégia de aproximação, mesmo virtual!!!!

Excelente análise!