segunda-feira, 27 de abril de 2009

Latrocínio


Metrópole. Noite. Trânsito. Esquina. Farol. Carros. Cruzamento. Sinal. Fila. Escuridão. Tensão. Motos. Duas. Capacetes. Quatro. Incognitude. Escolhem. Sondam. Seminovo! Encontram. Ricos! Param. Descem. Apontam. Esmurram. Gritam. Abre! Abre! Medo. Abrem. Perdeu! Entrega! Bolas. Pastas. Jóias. Dinheiro. Tudo! Rápido! Pânico. Urgência. Mãos. Movimento. Susto. Raiva. Reação. Tiros. Um. Dois. Três! Perdeu! Correm. Sobem. Partem! Gritos. Dor. Choro. Sangue. Desespero. Socorro. Ajuda. Gente. Desconhecidos. Medo. Sirenes. Buzinas. Partida. Fraqueza. Cansaço. Dormência. Frio. Frio..

Frio...

Frio........

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Relacionamentos 2

A morte do Chagas
O funcionário de uma agência funerária está examinando os corpos antes destes serem sepultados.
Examina um corpo, identificado como José Chagas, que está pronto para ser cremado, e descobre que o defunto tem o maior pênis que ele já viu na vida.
- Desculpe, Sr. Chagas - (falando consigo mesmo) - Mas não posso mandá-lo para o crematório com essa coisa enorme. Ela tem que ser conservada para a posteridade!
Com um bisturi, remove o pênis do morto, guarda-o num frasco e vai para casa.
A primeira pessoa a quem ele mostra a monstruosidade é sua mulher.
- Tenho algo inacreditável para te mostrar, querida. Vôcê nem vais acreditar!
Depois, abre o frasco e... ao ver o conteúdo, a sua mulher grita, estarrecida:
- Oh, céus! O Chagas morreu!

Oops...
No bar de sempre, o sujeito encontra o amigo cheio de hematomas, sentado em um canto.
— Kléber? O que aconteceu, cara?
— Putz, é que ontem eu apertei o peito da minha mulher e levei uma surra.
— O quê? — grita ele, assustado — Ela ficou louca? Quando eu aperto o peito da minha mulher ela fica excitada, me faz carinho, aí começa né...
— É... Mas aposto que não foi com a porta do carro...

Respeito com o velório
O sujeito estava no boteco tomando umas cachaças, jogando baralho com mais três amigos, quando vê um enterro passando pela rua.
Mais que depressa ele interrompe o jogo, levanta-se, vai até a porta, tira o chapéu e fica observando o cortejo, durante vários minutos, em silêncio, com semblante visivelmente entristecido.
Quando a comitiva termina de passar, ele recoloca o chapéu na cabeça e volta a sentar-se.
— Esse foi o gesto mais comovente que eu já vi em toda a minha vida! — comenta um dos amigos. — Acho que todos deviam seguir o seu exemplo.
— Bem, depois de quinze anos de casado, acho que era o mínimo que eu podia fazer!

Veneno, só com receita
A mulher chega na farmácia e fala:
— Eu quero o veneno mais forte que você tem aí!
— Mas minha senhora, eu não posso te vender veneno!
— Não quero saber... Eu quero o veneno e pronto!
— Mas pra que a senhora quer o veneno?
— Pra quê? Meu marido sai com todas as mulheres do bairro... É um safado, sem vergonha...
— Piorou minha, senhora! Não posso vender algo que vai tirar a vida de uma pessoa!...
A mulher abre a bolsa e tira uma foto do seu marido abraçadinho com a mulher do farmacêutico.
— Olha só... Meu marido e tua mulher agarradinhos! Tem certeza que não vai me vender mesmo?
— Ah bom! Por que a senhora não disse logo que tinha a receita?

Tática
O casal dormindo numa boa, alta madrugada quando, do nada, a mulher acorda o sujeito, com aquela cara de terror:
— Foge! Foge! — grita a mulher, desesperada — Deve ser o meu marido!
O cara nem pensa: dá um pulo da cama peladão, e rapidamente pula pela janela.
Depois de cair em cima de um arbusto, ele volta, muito irritado:
— Bandida! O seu marido sou eu!
— Ah, é? — pergunta ela, sarcástica — E você pulou pela janela por quê?

Falar a verdade é importante
O sujeito tinha quatro filhos, três bonitos, fortes e saudáveis e um, o mais novo, que se chamava Josias e era mirradinho, raquítico, todo estropiado.
Viveu a vida toda, desconfiando da mulher, mas nunca tivera coragem de tocar no assunto, porém, já em seu leito de morte, desabafa:
— Meu amor... Eu gostaria de saber se o Josias é realmente meu filho.
— Ah, querido...
— Por favor, não minta pra mim. Se não for, não tem problema... Eu te perdôo desde já. Eu só queria saber a verdade...
— Sim, querido. — responde a mulher. — Você é o pai de Josias sim, juro por tudo o que é mais sagrado...
— Puxa, que bom ouvir isso... — solta o seu último suspiro e morre.
E a esposa, aliviada:
— Ufa... ainda bem que ele não perguntou dos outros três!

sábado, 18 de abril de 2009

Jackson Lago, corrupção e capitania hereditária

Ninguém pode dizer que o Maranhão pertence aos Sarney - e ao mesmo tempo pode.

Não pode dizer porque, em primeiro lugar, os dois últimos mandatos foram eleitos democraticamente e assumidos por oposicionistas da família Sarney.

Mas também dá pra dizer que sim, o Maranhão PERTENCE aos Sarney porque, de fato, todo o funcionamento das instituições políticas e praticamente todos os mecanismos públicos daquele estado são infestados de gente que se dobra à vontade daquela família, contribuindo para a perpetuação do seu poderio e à manutenção de sua gigantesca influência.

Estabeleceu-se uma cultura no Maranhão que mostra que, quando um grupo alcança determinado patamar de poder e influência, ele consegue determinar os caminhos da própria população, abatendo a força e a vontade de qualquer possível nova liderança, e culminando em um senso comum ao estilo "ruim com eles, pior sem eles".

O último episódio, envolvendo o governador Jackson Lago mostra um exemplo clássico de como a coisa acontece no Maranhão e, não raro, em vários lugares do Brasil. E também, mostra a incompetência da oposição em muitos desses covis eleitorais.

Jackson Lago teve seu mandato cassado, à revelia da maioria da população que o apóia porque, sem que houvesse necessidade (visto que possuía maioria nas intenções de voto), apoiou-se no populismo, distribuição de vales-gasolina, cestas básicas e convênios duvidosos para angariar uma simpatia que.. pasmem... já possuía. Ou seja, seguindo a influência do seu predecessor José Reinaldo (que morria de medo de passar a faixa para a família Sarney), acabou se envolvendo nos movimentos mais simples de detectar e de incriminar numa eventual disputa jurídica. Colocou a corda no próprio pescoço. Desculpe dizer, mas foi ingenuidade e incompetência.

Afora esse detalhe, vale lembrar que assume o estado a mesma Roseana que caiu no episódio dos milhões do caso Lunus, e que foi forçada a renunciar à candidatura à presidência por causa daquele monumental escândalo, num flagrante preparado nos porões mais obscuros do PSDB (FHC e Serra) e que usou abundantemente a máquina pública (PF) para abater o que na época era uma forte concorrente ao cargo maior.

O caso do Jackson Lago não chega sequer aos pés do caso Lunus. A diferença é que Jackson já estava em exercício do mandato e caiu. Rosena era apenas candidata, e igualmente caiu.

Para se vencer os "donos" de um lugar, precisa-se de mais inteligência... e competência.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Internet, twitter e enguinorância

Não consigo entender muito bem a tendência dos seres humanos de se isolarem uns dos outros enquanto buscam justamente o oposto: aproximação. Taí a internet que não me deixa mentir.

Há uma nova moda da internet, mais uma daquelas que demoram para passar: o Twitter. A idéia é que qualquer pessoa que criou sua conta, comece a publicar mensagens curtinhas, que obrigatoriamente devem caber em 140 caracteres. Então os "twitteiros" começaram a publicar o que estão fazendo o dia todo, alguns minuto a minuto, inclusive. Coisas como "Preparando o jantar", "lendo uma revista" e até mesmo o clássico "dormindo" passam a ser de conhecimento público. Para qualquer um ler.

Isso parece meio paradoxal, porque se a pessoa escreve "Preparando o jantar", ela na verdade não está. Está postando mensagens no twitter, o jantar é só depois. O que vem em seguida? "Estou descascando a batata"... dois minutos depois vem "Batata descascada: vou ferver a água"... Mas isso não é o pior. O pior é saber que ninguém, em seu perfeito estado de sã consciência, vai dedicar algumas horas para ler a sequência de ações de seus amigos no Twitter, porque o pressuposto é que todo mundo tem uma vida e, inserida nela, muito mais o que fazer.

Isso parece meio irracional para mim. Mas ser irracional é da natureza do ser humano né, fazer o que. Veja esse blog por exemplo. Quer algo mais irracional do que isso? E eu nem tenho desculpa alguma para me defender agora. Soa como mesquinharia. "Eu posso, mas os outros não". Mas embora eu não saiba explicar o porquê, o danado do microblog twitter continua me incomodando apesar da minha própria irracionalidade. Deve ser porque, em um blog como este, a pessoa dedica 15 minutos, escreve o que tem para escrever, e tchau. No twitter não: a pessoa fica presa, digitando pequenas frases ao longo do seu dia, cosntruindo a história do seu dia com uma sequência um mínimo lógica de fatos, e acreditando piamente que alguém está dando a mínima para o que lhe acontece. Ou então meu problema é idade mesmo.

Acho que qualquer um que consegue se viciar em uma coisa ridícula como o Twitter, daria um ótimo estudo de caso para neurologistas.