segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Ícaro

Eu gostaria de ter asas para voar
Voaria para longe, ao deserto
Onde encontraria paz, por certo
Longe dos homens e seu dom de amar
Atravessaria mares e oceanos
No mais profundo me refugiaria
E voltaria, quem sabe um dia
Para apenas ver e recordar.

Com asas firmes a beijar os ventos
voaria para o longe e para cima
a lembrar de Deus e da obra-prima
e esquecer o resto, e os sentimentos
e ao compasso desses movimentos
veria os homens e seu dom de amar
de muito longe, e somente o voar
a ocupar todos os meus pensamentos.

Passariam os dias dentro em mim sem paz
Até que, de rever e de esquecer alguém,
Se revelem novos caminhos a quem
Certo dia eu magoei demais.
Então de Ícaro me revistiria
Com algo novo tendo a conquistar
Àquele, toda a delícia do voar
A mim, ser esquecido bastaria.

Não sou eu das criaturas, a miserável?
Não sou quem a si mesmo fez culpado?
Sim... quem me dera ser aquele ser alado
E levar comigo em direção ao nada
Os medos e as dores provocadas
A quem se dignou a amar a mim
Voaria como Ícaro, até queimar o sol, a cera
e despencar no êxtase da conquista
P'ra serenamente encontrar o fim.

Sou um homem sem estrada, sem destino,
Que apenas caminha, sem o mantimento
Tudo nessa vida tola tem seu tempo
Tudo nessa linda vida é desatino
Diante disso, me ponho a rir e a chorar,
O meu sorriso é todo tristeza
por não ter aprendido jamais essa beleza
que pertence aos homens: o seu dom de amar.

Nenhum comentário: