sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Tá difícil

Impressionante como o mundo tá mudado. Tão diferente de há poucos anos.
Eu que tinha tanta pressa de crescer e ser dono do meu próprio nariz!... De vez em quando dá uma saudadezinha dos tempos de criança, quando minha maior preocupação era não quebrar nada ou me machucar jogando bola (coisa que eu fazia por horas no campinho de terra), ou não levar bomba numa matéria ou outra.

Hoje em dia, não se vê quase criança com gesso no braço ou na perna. As crianças não jogam mais bola ou bola de gude, não soltam pipa, não jogam queimada, vôlei ou "bétis".

Não que isso seja algo bom, mas antigamente a gente se machucava, quebrava perna, braço: só que nem por isso alguém morria. Antigamente meu pai sentava a chinelada quando eu passava dos limites, e nem por isso eu deixava de amá-lo ou ele a mim.

Hoje vivemos tempos em que se uma criança se machucar, o pai é indiciado por negligência. Tempos em que se o pai der uma chinelada no filho, o conselho tutelar leva a criança embora, e prende o pai por tortura. Deixar de castigo é cárcere privado.

Por outro lado esse policiamento jurídico todo não explica porque os casos de abuso tortura e até mesmo morte, são tantos, e muito mais numerosos do que antigamente.

...

Mas isso não é só.

Vivemos tempos em que as pessoas não têm mais paciência para nada. Não têm paciência para ler um livro, visitar um amigo, conversar.

Vivemos tempos de competição no trânsito. Pessoas se ofendem e até partem para a ignorância por coisas sem sentido. Transgridem toda forma de civilidade e gentileza quando estão com as mãos no volante de um automóvel.

Essa competição vale não só para o trânsito, como para a vida mesmo. As pessoas, em sua miserável pressa de tudo, têm entendido errado as coisas que são ditas, e agem encima daquilo que entenderam. Não se ouve mais os dois lados da história. Não se releva as coisas.

Também não se pede mais perdão pelas palavras e atos proferidos sem o devido cuidado. E pedir perdão pressupõe reconhecer um erro: mas quem é que reconhece seus erros hoje em dia? Todos estão certos, todos estão com a razão.

Vivemos dias em que uma pessoa não pode ser romântica, ela tem que ser "pegadora". O padrão ficou alto demais... e quem não consegue acompanhar é tido como um completo derrotado. Virou senso comum. Ser virgem então, é ser um extraterrestre!

Uma pessoa não pode ser feliz com o que é. Ela tem que buscar padrões de beleza e de conduta ideais e, se não conseguir, deve se acostumar em ser infeliz. Por ser mais gordo - ou gorda, por ser negro, crente ou desajustado. Aliás, as pessoas se acostumam em ser infelizes.

Vivemos tempos em que as mentiras são repetidas com tanta veemência, que vira verdade para todo mundo. Mas em sua essência, continuam sendo mentiras... Só que ninguém consegue ver!

E amigos? Antigamente a gente tinha amigos por quem daríamos a vida. Hoje, a isso chamariam boiolice. As meninas, sapatão.

...

E a vida humana, sem valor, insignificante. Pais matam filhos. Filhos matam pais, avós, tios e primos. Mata-se no trânsito. Mata-se por 1 real. Muitas vezes por ganância. Muitas vezes, por almejar uma liberdade ou para se desvencilhar de uma obrigação desagradável.

Rapazes engravidam meninas sem interesse em compromisso. A criança não terá um pai (e às vezes a própria mãe) para conviver, mas... quem se importa? Há tantas latas de lixo onde abandonar a criança!

Antigamente um homem, por mais jovem que fosse, assumia as conseqüências de suas atitudes, mesmo com prejuízo próprio. Hoje não se faz mais isso. Homens não são mais homens: são moleques e covardes! Mulheres não são mais mulheres: são objetos!

Atropelam alguém na rua, mas preferem fugir para não terem que pagar o preço. Mesmo sabendo que a vítima poderia sobreviver se fossem resgatadas e encaminhadas a um hospital.

Tá difícil. Tem que procurar muito para encontrar equilíbrio e liderança, altruísmo e bondade. Personalidade e principalmente caráter.

Nenhum comentário: