quarta-feira, 28 de maio de 2008

Felicidade

Não creio que a felicidade em tempo integral exista.

A felicidade me parece ser um estado de espírito, corpo e alma que só pode ser sentida em momentos específicos... como quando você descobre um grande amor, uma grande paixão - e não pretendo aqui falar sobre a diferença entre amor e paixão. Ou quando se recebe atenção e carinho dessa pessoa. Essa sensação ainda é mais duradoura. :)

Mas também, quando se passa no vestibular, ou quando se ganha um prêmio, ou se conquista algo muito importante.. ou quando aquela mulher se olha no espelho e adora o que vê, depois de um tempo enorme se produzindo... ou quando o cara sai com os amigos para o happy hour e fica ali contando piadas, rindo e se divertindo sem pensar no amanhã e nos problemas.

Ou quando o seu time faz aquele golaço ou vence um jogo difícil, ou quando aquela criança diz "mamãe" ou "papai" pela primeira vez, ou quando anda pela primeira vez sem ajuda... Ou quando se tem aquela pessoa, ou aquelas pessoas junto de você. Você pode estar se sentindo tocado, ou mesmo feliz, só de estar lendo isto.

Toda felicidade que uma pessoa pode sentir é única, e ficará para sempre registrada como um retrato daquele momento que aconteceu e que nunca mais irá voltar, considerando que, se aconteceu, já é passado. Outros momentos iguais ou parecidos virão, mas aquele foi único.

Os momentos de felicidade se contrapõem aos momentos de ansiedade, preocupação, tristeza ou angústia. Eles sempre vêm, e não quero citar situações em que isso acontece, porque não quero tirar a beleza desse momento em que falamos de felicidade.

Por isso uma pessoa feliz, em meu conceito, é aquela cujos momentos de felicidade são mais freqüentes. Talvez, mais duradouros. É a pessoa que passa mais tempo com aquela deliciosa sensação de satisfação e alegria interior, do que com aquela cara carrancuda de quem comeu e não gostou. Ou que nem comeu.

Procurei por uma vida feliz a minha vida inteira, sem saber que, como don Quixote, lutava contra moinhos de vento. Hoje eu sei que a felicidade está ao meu alcance, justamente porque deixei de ter ilusões de felicidade... deixei de negar a minha natureza humana, que por definição é insatisfeita.

Como uma criança que tem medo do escuro... e deixa de ter medo no dia em que passa a compreender que a escuridão por si só não traz o mal consigo: ela apenas existe.

Assim eu me sinto um homem feliz, pois descobri que a felicidade plena não existe, mas que toda felicidade que eu possa sentir, eu mesmo tenho o poder de produzir. E a felicidade que aparecer para mim sem que eu tenha feito nada, essa eu desfruto com muita mais alegria, me sentindo duplamente feliz, pois com certeza isto foi para mim um grande lucro!

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