quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Por que a extinção do CMPF foi um tiro no pé?

Quando o CMPF foi criado, ainda na gestão tucana de FHC, era advinha de um movimento que já existia na mente dos executivos políticos há muito tempo, recheados de estudos, sobre a possibilidade de criação de um imposto único no Brasil - coisa provadamente inviável - mas que por um lado trazia em sua bagagem uma grande sacada: a questão da proporcionalidade de pagamento de impostos.

Com o pagamento de impostos vinculados a produtos e serviços todos pagam proporcionalmente, o que não é errado, pois é justo que todo cidadão pague seus impostos. Mas também, os mais ricos sentem muito menos o peso dessa proporção, ao passo que os mais pobres sofrem mais, semprte considerando a proporção renda/consumo.

O imposto sobre movimentação financeira - CMPF - taxava a movimentação de dinheiro nos bancos. E quem movimenta dinheiro em banco nesse Pais? Só o pessoal da classe média para cima, com poucas excessões, e isso todo mundo sabe. O CMPF portanto estabelecia uma porporção relativa. Quem movimenta mais paga mais.

A classe pobre quase nao pagava CMPF. Quem pagava era a classe média e principalmente as empresas e a classe rica desse País. E ainda ajudava a polícia pois, como um sujeito que ganha 10.000,00 pagaria CMPF muito acima da média se não houvesse algo errado?

E por aí vai. Infelizmente a CMPF foi extinta, e isso foi um terrível equívoco. Não que eu seja a favor de impostos, mas é bom lembrar que o governo de um País é estabelecido por seu povo. É uma máquina pública para gerir o bom comum, o patrimônio comunitário. Logo, precisamos pagar para ter escolas, estradas, saúde, etc.

Acredito que a extinção em si foi um erro não por si só, mas pelo momento e pelas razões que motivaram esse cancelamento. As razões foram puramente políticas. Cancelando a CPMF o governo não conseguirá realizar muita coisa do PAC, plataforma de lançamento do sucessor do atual governo para 2010, abrindo o caminho para a oposição inchar-se de fervor patriótico e descer o pau no governo atual, cantando de galo como defensor da economia popular - a despeito de eles mesmos terem criado a porcaria do imposto.

E o momento não podia ser pior, porque agora será acelerada de uma maneira mal preparada, mal debatida, uma reforma tributária no Brasil. Mas não sem que antes haja uma reformulação nas alíquotas de vários impostos. Se a gente sempre paga, agora vamos pagar mais, mais rápido, e mais dolorosamente.

O governo é uma máquina lenta. Não dá pra cancelar uma contribuição que coloca bilhões em funcionamento da máquina e em programas sociais sem planejamento. Até para cortar gastos - o que seria o ideal considerando o tamanho da máquina - é preciso tempo! É como você ganhar 3.000,00 de salário em um mês, tendo compromissos, prestação do carro, prestação da casa, contas para pagar, e no mês seguinte teu chefe chegar em você e dizer: olha a partir de agora vc ganha 500,00!!

Portanto, preparem-se para altas de juros, altas de preços, de combustíveis, do dólar. Preparem-se também para queda na confiança do consumidor, inadimplência, queda da confiança externa, aumento do risco Brasil e tudo aquilo que no fim das contas afeta o dia a dia da gente humilde desse País.

Os ricos conseguiram novamente. Desculpem-me a expressão, mas são uns malditos filhos de uma puta.

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