terça-feira, 29 de agosto de 2006

a melhor de todas as passagens da Bíblia

I Coríntios 13

Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine. Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei. E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará.

O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba; mas, havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, passará; porque, em parte, conhecemos e, em parte, profetizamos. Quando, porém, vier o que é perfeito, então, o que é em parte será aniquilado.

Planta-se a semente, ela brota.. mas sem água, ela simplesmente vai definhando, pequenina e despercebida aos olhos dos homens. Aos poucos vai definhando, diminuindo, reduzindo, até secar-se completamente. Os homens passam por ela, mas não enxergam que ali está se travando uma luta pela vida. Eles não vêem.

O amor é como uma planta que precisa ser regada com frequência. Ela não sobrevive sem água, não consegue crescer, ainda que tenha o potencial para a vida.

Mas se a água cair sobre ela, ela crescerá, reverdecerá, ficará forte, grande, e no devido tempo será frutífera. Os frutos servirão de alimento para as pessoas e animais, sua sombra cobrirá e protegerá nos dias de tempestades e nos de extremo calor. Dos frutos restarão as sementes que, replantadas, darão vida a novas plantas igualmente frutíferas e mais uma vez o milagre da multiplicação acontecerá. Ele acontece todo dia, no coração de quem ama.

O amor é isso, é uma planta, e possui em si também um grande potencial. Se devidamente cuidado ele por si só dará seus frutos, e os seus frutos gerarão mais amor, e tudo ficará contamidado com o seu perfume suave.

O que quer dizer isso?

Quer dizer que o sucesso, o desempenho, a fama, as conquistas pessoais, financeiras, patrimoniais, e até mesmo as espirituais - isso mesmo, as espirituais - nada valem, nada representam, têm valor zero absoluto se o motor de tudo na vida da gente não for o amor.

Quer dizer que tudo o que a gente fizer na vida, se não for motivado pelo amor, vai ser apenas uma ação vazia, para não dizer hipócrita. Vai ser falsa, nula, sem sentido, sem valor, indigno de qualquer reconhecimento, indigno de qualquer nota. A gente não pode esperar recompensa se o que nos motiva a agir não for o amor.

Quer dizer que é bom a gente deixar toda velha hipocrisia de lado se quiser passar na prova do amor. Porque qualquer pessoa pode dizer que ama, sem de fato demonstrar, sem de fato dar os sinais de que vive - e não apenas discursa.

Mas então é isso? Ou ama ou não ama?

Não, não é simples assim. Porque o amor, antes de ser uma árvore, era uma semente, ou seja, precisou ser plantada. E foi plantada em nossos corações. Vamos sorrir muito e chorar muito também até chegarmos ao conceito puro descrito aí encima, porque o amor é um aprendizado diário.

Se diz por aí que a gente aprende tudo na vida de duas maneiras: errando ou vendo o erro dos outros. Isto é uma verdade, mas eu também vejo que a gente aprende muita coisa acertando, ou vendo o acerto dos outros. Porque até mesmo o erro é uma coisa difícil de conceituar. E porque muitas vezes a gente erra quando queria acertar.

Melhor é aprender com a própria natureza humana

Uma pessoa pode dizer que ama, mas ao mesmo atropelar a vida e as pessoas com suas atitudes, sem esperar que os outros cheguem ao mesmo nível, nem mesmo se incomodando em ajudá-los a chegar, agindo de uma maneira totalmente contrária ao conceito do amor, porque o amor é paciente, e também não se exaspera.

Uma pessoa pode dizer que ama, mas agir de modo contrário ao amor. Achando estar sendo movido por esse mesmo amor, comete maldades ora sutís, ora gritantes, contribuindo para destruir outras vidas, e quebrando assim o princípio de que o amor é benigno.

Uma pessoa pode dizer que ama, mas demonstrar que seu amor é voltado somente para as coisas, quando age de maneira possessiva e considera as outras pessoas como brinquedos seus, objetos, cristaizinhos para decorar a estante. Quando passa a crer que é necessário que os outros sejam empalhados como troféis de caça, que são de sua propriedade, aquele que diz que ama passa a conduzí-los ao sofrimento, porque pára de desejar seu bem, não quer que cresçam, não quer que se desenvolvam, pois tem mêdo de perdê-los, ou que seus olhos se abram e vejam a prisão em que estão trancafiados. E na verdade não os ama, só tem medo é de ficar sozinho. Mas há o ciúme bom: o ciúme de quem ama a alma, que é diferente do ciúme de quem ama as coisas.
O primeiro é o de quem, ainda que sofra, quer o bem do outro; o segundo é o de quem quer exclusivamente o próprio bem. E por causa do segundo, e só do segundo, quebra-se o princípio de que o amor não arde em ciúmes.

Uma pessoa pode dizer que ama, mas com atitudes recheadas de egoísmo e egocentrismo acaba destruindo a vida e os sonhos de outras pessoas - e talvez até de alguém especificamente - porque não verdade não ama a outros, senão a si mesmo, e assim quebram-se os princípios de que o amor não se ufana, não se ensoberbece, e não busca os próprios interesses.

Uma pessoa pode dizer que ama, mas mostrar o contrário quando suas atitudes afastam os outros de si, parecendo agir deliberadamente para se isolar, motivado ora pela autopiedade, ora pela arrogância, ora pela ganância, e até mesmo pela esperteza. Qualquer motivo, menos o amor. Em sua determinação maligna, acaba quebrando o princípio de que o amor não se conduz inconvenientemente.

Uma pessoa pode dizer que ama, mas não consegue expressar isso por não conseguir passar pela difícil prova do perdão, já que o amor não se ressente do mal. Está na natureza do homem guardar a mágoa, reter o perdão, e aprisionar uma parte de si em algo - ainda que terrível - do passado, aprisionando junto de si outras vidas. A gente tem que aprender a dura lição do perdão, sob a ótica da libertação, já que o perdão liberta tudo. Se a confiança vai ser a mesma é outra história. É necessário aprender a mesma lição dia após dia, para sermos livres.

Uma pessoa pode dizer que ama, mas mostrar o contrário quando vibra com a derrota, o sofrimento e a desgraça alheias, em qualquer sentido. Mas esse é um erro bem revelador, porque o amor não se alegra com a injustiça.

E pode dizer que ama mas demonstrar que não entende bem o que é o amor quando retém a verdade, ou a subtitui pela sua própria e conveniente verdade, ou ainda quando a omissão dessa verdade prejudica os benefícios que ela traria. Ou seja, a gente não pode dizer que ama quando usa a mentira como caminho. Porque o amor regozija-se com a verdade.

O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. Sei que é complicado, considerando nossa condição, desafia nossa lógica e parece cansativo lembrar de tanta coisa, para poder bater no peito e dizer que a gente ama de verdade, mas...

... vamos caminhando enquanto amamos, e amando enquanto caminhamos. Tudo vai sendo aprendido ao longo do caminho.

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