segunda-feira, 7 de agosto de 2006

Israel e Hezbollá

Tenho visto várias pessoas se posicionando claramente entre um lado e outro, uns acusando Israel de exercer o "terror de estado", outros defendendo que a guerrilha xiita está recebendo o que merece - mesmo que o preço maior, quem esteja pagando seja o pobre e fraco (em vários sentidos) Líbano.


Todo mundo sabe que a rixa ali é secular. O que quase ninguém sabe é como e quando começou. Imagina-se que a origem dessa indisposição mútua - dizem - vem dos tempos bíblicos, quando os Amonitas, Edomitas, e tantos outros itas, se amontoavam em torno da recém conquistada (na marra) terra que mana leite e mel - Canaã. Resposta bastante simplista: "Ah... esses dois meninos... brigam desde que nasceram!..."

Será?

Chacina pra cá, chacina pra lá... Vingança pra cá, vingança pra lá... e a origem se perdeu. Hoje, o que lhes salta à memória é só a lembrança de tragédias mais recentes. O que deu origem histórica a essa rixa não importa mais... O importante é vingar a morte do líder Youssef, do ministro Rosenstein, etc. etc. Ah! Mas peraí... é claro: tem a causa palestina, não é mesmo?

Vamos à causa Palestina.

Tudo bem que Judeus e árabes nunca se entenderam mesmo. Mas a coisa começou a ficar preta foi no final da primeira guerra mundial. Naqueles anos tensos 1914 a 1918, o nacionalismo europeu irrompeu numa crise sem precedentes na história da humanidade. Nações do mundo todo se envolveram numa guerra bastante sangrenta (inclusive o Brasil, viu?).

Combatendo na frente oriental, a Inglaterra foi perdendo e ganhando batalhas aos montes. Até que no final, conseguiu repelir as forças da aliança inimiga (inimiga deles, que fique claro). Mas enquanto brigava, correu um grande movimento político que bateu com a necessidade bretã de apoio (leia-se dinheiro) - a idéia de um grupo muito grande de judeus - ricos - do mundo todo que tinha grandes interesses na implantação do estado Judeu em sua terra de origem: a Palestina.

Dessa parceria surgiu a declaração Balfour: que, deixando o nhé-nhé-nhé de lado, na prática era um compromisso inglês de estabelecer o estado judaico naquele almejado lugar. A qualquer custo. E com o carimbo de aprovação da nação neo-judaica chamada América.

Observação: Na palestina vivia uma maioria árabe e uma minoria judaica que, se não eram os melhores amigos uns dos outros, pelos menos conviviam sem muitos pegas. Tipo... como duas vizinhas que não se gostam muito.

Terminada a guerra, com a Palestina sob administração da Inglaterra, os problemas dos palestinos começaram a se agravar, especialmente com a vasta imigração de judeus para a região. O quadro que se estava pintando para eles (palestinos) era negro. E os problemas europeus com nacionalismo não haviam sido sepultados.

Estoura a segunda guerra e, para ajudar (por favor, não me interpretem mal), especialmente os judeus são perseguidos e mortos aos montes pelo facínora louco e revoltado Hitler. A despeito de todo horror que a guerra deixou visível, a porcaria acaba ajudando, e muito, o plano de implantação de uma nação judaica.

Deixando os detalhes da segunda guerra de lado, no final a ONU estabelece através de uma resolução (a 181) a divisão do território da palestina entre judeus e palestinos, determinando uma divisão territorial quase igual entre ambas as nações (56% para Israel, 44%para a Palestina), e a cidade de Jerusalém como território do mundo – e de nação nenhuma. E a Inglaterra poderia de uma vez por todas virar as costas e dar no pé daquele lugar, largando a batata quente, para quem ficasse, resolver. Que se dane... a minha parte eu fiz!

Se isso já não fosse um problema monstro, Israel quebra a resolução e toma na marra, metade do território Palestino em tempo recorde, contra tudo e contra todos. Milhares de palestinos pobres passaram a viver em aglomerados, morando em cidades sem estrutura e em campos de refugiados.

E o pior: sem nação. Porque a resolução 181 da ONU que cria o estado de Israel não abole o estado Palestino. Pelo menos não era para abolir, mas ela nunca foi aplicada. Pode-se dizer que resoluções da ONU foram feitas para serem desobedecidas desde o início. É isso aí.

Mas para entender o porque da aguerrida iniciativa Judaica, então temos que voltar ainda mais e mais na história, e aí sim: vamos ver quando e porquê Israel - que já foi uma nação (aliás praticamente um império) - deixou de ser nação. Por quê, afinal, os judeus estavam esparramados pelo mundo todo? Israel não era um País na época de Jesus? Não tinha um tal de Pôncio Pilatos governando a Palestina? Não tinha um tal de Herodes governando a Judéia? Os centuriões não exibiam suas armaduras douradas e saias vermelhas pelas ruas de Jerusalém? O que aconteceu, afinal?

Saiba isso e muito maisnos próximos capítulos, nesse que é o seu, o meu, o nosso blog... I O KIKO!!!


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