terça-feira, 18 de julho de 2006

novelas

O auto Manoel Carlos pediu desculpas publicamente pelo excesso cometido em sua novela "Páginas da Vida" da Globo. Na novela, um depoimento real de uma mulherde 68 anos conta como ela atingiu o primeiro orgasmo aos 45 anos, através de masturbação. E usa palavras chulas. Que chocam e constrangem. Quer ler? Leia aqui.

Não tem nada de diferente do que acontece em nosso cotidiano mesmo. A maioria das mulheres não sentem prazer na relação, isso é sabido. A maioria dos homens são estúpidos em relação ao prazer feminino. A maioria das pessoas não sabe falar português. Nosso dia a dia é recheado de preocupações, frustrações, dificuldades e transtornos: devemos dinheiro para o banco, temos que juntar as moedas para pagar a luz, a água, o ônibus, andando de sapato velho e comendo o que é possível. Isso todo mundo sabe.

O que choca no depoimento é o linguajar. Não estamos acostumados a expôr - e nem a ver exposto - esse tipo de situação, que é muito íntima de cada pessoa, e ainda mais num linguajar que força a imaginação. Que faz brotar na mente a imagem da própria depoente na circunstância descrita. É constrangedor, até asqueroso. E ela não tem culpa, ela fala do que sabe, é uma pessoa simples e usa seu linguajar cotidiano para expressar suas idéias, sem a intenção de chocar ou ofender.

Não é da cultura nem do brasileiro, nem de pátria nenhuma do mundo a exposição de tais situações com tal liguajar, a não ser em grupos restritos em que haja confiança mútua. Você não vê no ônibus , no metrô, na rua ou no trabalho, alguém falando abertamente se tem orgasmo ou não, e como é que faz para atingi-los.

Você só vê isso num grupo em que o assunto é apropriado, e ainda assim com linguagem didática, numa aula de sexologia, ou ainda num grupo de amigos(as).

Se num lugar público já seria constrangedor, imagina através dos geradores da mídia livre.
Imagine quantas famílias que, pra descontrair, assitem juntas uma novelinha na sala. Imagina quantas crianças e adolescentes absorveram?!

Não dá para calar diante do que aconteceu. A idéia é ate´interessante, mas o resultado foi terrível, terrível.

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