quinta-feira, 1 de junho de 2006

Big Bank 1

Um dia comum de domingo, acordamos pela manhã com alguém batendo à nossa porta. Ao abrir, um oficial nos comunica que precisamos deixar a residência imediatamente.
-Mas como?! Estou com os aluguéis em dia!
-Não importa. O dono deve o banco. E o banco quer a casa.
Deixamos melancolicamente nosso lar. Os móveis, roupas, malas... tudo na rua. Sim, porque os caras eram bem eficientes.
Olhamos para os dois lados da rua, procurando um destino. Para nossa surpresa, havia muitas outras famílias na mesma situação. Bem, na verdade, todas as da rua. Da rua não, do bairro. Aliás, do País.
Procuramos um telefone para usar, mas infelizmente os bancos se apoderaram das empresas e seus serviços de telefonia e estavam fazendo auditorias e ajustes antes de iniciarem a administração direta.
Os ônibus, táxis e metrôs? Fechados e os equipamentos devidamente armazenados. O banco os havia tomado. As empresas não aguentaram os juros e quebraram.
Os serviços públicos foram todos interrompidos. O governo estava fazendo o esforço final para pagar a "repescagem da renegociação final do mínimo dos juros da dívida". Para os bancos, claro. Nada de alimentos, em lugar nenhum. Sem comida. Ninguém teve mais dinheiro para produzir. Os bancos não emprestam dinheiro para essa gente do nome sujo, esses agricultores.
Achamos que o banco de dados de negativação é o próprio banco de dados dos bancos, unificado. Todos os clientes estão lá. Todos os brasileiros, pelo menos.
Paramos para refletir. Como começar novamente? O que temos, como ponto de partida?
- Bem, temos oxigênio ainda. Sufocado ninguém morre. Também temos água. Basta cavar uma cisterna, ou se dirigir ao rio mais próximo. De sede também ninguém morre.

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