terça-feira, 28 de março de 2006

judeus

Gosto dos judeus, de sua história e de sua cultura. Gosto também de sua religião, que é riquíssima, e que é, inclusive, o berço da religião cristã.

Mas o que eu não gosto é da condição de eternas vítimas que eles impõem a si mesmos. Lembrar o horror do holocausto pra sempre é uma tarefa importante para a identidade do povo judeu, mas eles não foram os únicos nisso. Não vejo os ciganos, nem os poloneses, nem os homossexuais, nem os doentes mentais ou portadores de deficiência física aparecendo nos filmes sobre o holocausto, embora eles tenham sido igualmente vitimados.

Do meio judaico saíram algumas das maiores mentes da ciência moderna, em todas as áreas: medicina, física, química, astronomia, etc etc etc. Há judeus hoje no controle das maiores potências comerciais e sua influência segue a produção cultural contemporânea. Isso para não falar do imenso poderio financeiro. Eles se sobressaíram à catástrofe e reconquistaram seu lugar no mundo moderno.

A mesma sorte não tem muitos outros povos igual ou ainda mais dramaticamente martirizados, perseguidos e sistematicamente exterminados que os antecederam, ou os sucederam. Não ouço falar, nem vejo filme algum sobre alguns genocídios da história.

Todas as nações colonizadoras fizeram os grandes genocídio de toda a história do mundo dentro dos últimos 4 ou 5 séculos. Os Estados Unidos massacraram indígenas durante a colonização, assim como os ingleses na Austrália. A tríplice aliança Brasil/Uruguai/Argentina matou trezentos mil paraguaios. O império Otomano massacrou armenos, na casa de mais de 1 milhão. Na União Soviética os massacres deram lugar a outros massacres - ali foram muitos milhões, muitos mais do que os judeus mortos. Stálin foi indubitavelmente um empreendedor agressivo, mas também um assassino inescrupuloso. O Khmer vermelho matou milhões no Cambodja, a lista continua com Indonésia, Ioguslávia, Ruanda, e por aí vai... É gente que não acaba mais.

Filosofias e pensamentos aparentemente modernos deram combustível para as grandes matanças da história. É muito triste isso tudo. Poucos sabem, porque poucos lêem.

O que eu espero é que aqueles que já foram vítimas de genocídio em outros tempos não sejam os novos algozes, ou que suas ações não gerem novos genocídios, ainda que não sejam eles os assassinos.

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